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30/7/2015 Matéria da revista Época sobre Estimulação Magnética Transcraniana na neurologia e psiquiatria. Avanço disponível na Clínica Higashi Rio de Janeiro e Londrina
Como a neuroestimulação está mudando a vida de pacientes com epilepsia, depressão e outros transtornos neurológicos ou psiquiátricos

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23/07/2008 - 16:55 - ATUALIZADO EM 18/05/2009 - 14:11

Neurônios equilibrados

Como a neuroestimulação está mudando a vida de pacientes com epilepsia, depressão e outros transtornos neurológicos ou psiquiátricos

SUZANE FRUTUOSO

Cerca de 20% dos pacientes com problemas neurológicos como a epilepsia e distúrbios psiquiátricos como a depressão são resistentes aos medicamentos. Por mais combinações que os médicos tentem, nada funciona. Até recentemente, não havia o que oferecer a essas pessoas. Nos últimos meses, surgiu uma esperança: a neuroestimulação cerebral. Os primeiros estudos sobre o método começaram nos anos 90. Novas pesquisas revelam que ele é eficaz e dão sinais de que será cada vez mais usado. Alguns hospitais e clínicas começam a oferecê-lo no Brasil.

A neuroestimulação pode ser feita de duas formas. Com um aparelho que libera ondas magnéticas (estimulação magnética transcraniana) e é colocado próximo da cabeça. Ou com eletrodos implantados no cérebro (estimulação elétrica). "Hoje, sabemos que é possível restabelecer funções cerebrais e encontrar saídas para pacientes que não tinham mais nenhuma qualidade de vida", diz o neurologista brasileiro Felipe Fregni, professor da Universidade Harvard. "A neuroestimulação é o futuro do tratamento na neuropsiquiatria. E ele já está começando."

Os métodos são muito diferentes das antigas técnicas de eletrochoque, que atingiam grandes áreas do cérebro. Além de produzir dores horríveis, elas muitas vezes provocavam lesões e efeitos indesejados. A neuroestimulação é feita em áreas limitadas e escolhidas de forma precisa a partir de exames de imagem.

A estimulação magnética transcraniana tem sido útil no tratamento de pacientes com depressão, transtorno bipolar (alternância entre depressão e euforia) e alucinações auditivas (um dos sinais da esquizofrenia). Os sintomas tornam-se mais brandos ou desaparecem.

O método não requer cirurgia. Exames de imagem determinam o ponto do cérebro que precisa ser estimulado. Com base nessa referência, o médico aplica a técnica no consultório. O paciente coloca uma touca de borracha parecida com as de natação. Nela está desenhado o ponto equivalente ao local exato do cérebro que precisa de tratamento. O aparelho que emite a corrente magnética é aproximado da cabeça do paciente. Essa corrente altera a ligação entre os neurônios e ameniza os problemas. São necessárias várias sessões de 15 minutos.

Para o reumatologista Sérgio Lanzotti, de 45 anos, o método fez toda a diferença. Desde a adolescência ele sofre de transtorno bipolar. Trabalhava e estudava em excesso, tinha insônia. "Era uma pessoa inadequada socialmente, irritada e que falava sem parar", afirma. Em 2005, caiu no outro extremo, a depressão. Teve duas crises, alternadas por momentos eufóricos. "Tomei vários remédios, e nada adiantava", diz. Quando se viu sem saída, procurou o Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo. Chegou disposto a encarar qualquer tipo de tratamento.

Lanzotti foi um dos primeiros pacientes a participar do estudo sobre estimulação magnética transcraniana do Hospital das Clínicas. "Havia lido algo sobre esse tratamento, mas não sabia que estava disponível no Brasil. Não tive dúvida. Assinei o termo de responsabilidade e me preparei para o melhor." Ele estava numa fase depressiva quando passou três dias consecutivos pela estimulação. Voltou a trabalhar, a se alimentar bem e a se sentir mais tranqüilo. As sessões diminuíram com o tempo. Hoje, ele se submete ao aparelho uma vez por mês. As doses que toma de antidepressivos e estabilizadores do humor também caíram. "Recuperei minha alegria", diz.
Lanzotti é tão grato ao tratamento que decidiu comprar o aparelho de estimulação magnética para sua clínica multidisciplinar em São Paulo. O equipamento chegou em janeiro e começa a ser usado pela equipe de psiquiatria.

O Instituto de Psiquiatria - que se tornou referência mundial na aplicação da técnica - está começando um novo estudo. Desta vez, o aparelho será testado em crianças com autismo, dislexia (distúrbio de aprendizado de leitura e escrita) e transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH). Os resultados deverão sair em 2012.

Por enquanto, a maior experiência da equipe é com pessoas deprimidas. Já foram tratados 3 mil pacientes. "Cerca de 80% dos pacientes responderam positivamente ao tratamento", afirma o psiquiatra Marco Antonio Marcolin. Na instituição, o tratamento é gratuito. Em clínicas particulares, a sessão custa cerca de R$ 300. A terapia pode provocar efeitos colaterais mínimos e passageiros como dor de cabeça, zumbido no ouvido, sonolência e contrações no rosto.

O outro método, a estimulação elétrica profunda, é bem mais invasivo. Eletrodos são introduzidos no cérebro por meio de uma cirurgia. Eles são ligados a uma bateria que parece um marca-passo cardíaco. Ela é implantada no ombro do paciente. Os fios passam por trás do crânio, por baixo da pele. A bateria libera uma corrente elétrica, que regula o funcionamento da região cerebral danificada.

A epilepsia foi uma das primeiras doenças estudadas para receber a estimulação elétrica. No caso dos epilépticos, os eletrodos costumam ser colocados na região do lobo temporal. É a parte do cérebro responsável pela memória e pela atenção, entre outras funções. Na maior parte dos pacientes, as crises ocorrem quando uma descarga elétrica anormal entre os neurônios interrompe temporariamente o funcionamento correto da região.

O novo método regula o funcionamento do local, e as convulsões características da doença costumam desaparecer. Se a bateria que envia a corrente elétrica é desligada, o paciente volta a sofrer com a doença. A estimulação elétrica também vem sendo usada em outras situações: para abrandar os movimentos involuntários do mal de Parkinson, aliviar sintomas do transtorno obsessivo-compulsivo e combater dores crônicas, enxaqueca e dependência química. s Estão em andamento testes em mal de Alzheimer e compulsões alimentares.

A história mais impressionante conhecida até agora é de um paciente americano, divulgada no ano passado. O homem de 38 anos, cuja identidade foi preservada, sofreu traumatismo craniano durante um assalto em 1999. Ele permaneceu todos estes anos no que os neurocientistas chamam de estado mínimo de consciência. Significa que o paciente consegue se comunicar apenas com movimentos limitados dos olhos e dos dedos.

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O cérebro do paciente despertou depois de receber a estimulação elétrica profunda, segundo os médicos do Instituto de Reabilitação JFK e do Instituto de Neurociência de Nova Jersey, nos Estados Unidos. O homem passou a cumprimentar os pais, identificar objetos, manter um diálogo breve e assistir à TV. Mastiga e engole a própria comida, sem precisar se alimentar artificialmente.

No Brasil, a técnica vem sendo usada há três anos. O neurocirurgião Cláudio Fernandes Corrêa, do Centro de Dor do Hospital Nove de Julho, em São Paulo, tratou seis casos de dores crônicas, dependência química, movimentos involuntários e mal de Parkinson. "Os resultados foram surpreendentes. Eram pacientes completamente incapacitados", afirma. Eles conseguiram retomar rotinas e recuperar a capacidade de executar tarefas simples do cotidiano, como cuidar da casa.

Depois da cirurgia, o paciente permanece no hospital durante dois dias para receber antibióticos e evitar complicações. Os eletrodos são ligados à bateria alguns dias depois, para garantir a recuperação do tecido cerebral após a operação. Existem riscos, e eles não são desprezíveis. Áreas saudáveis do cérebro podem ser atingidas durante a cirurgia. Também podem ocorrer hemorragias. "A probabilidade desse tipo de complicação é inferior a 2%", diz Corrêa. O método é reversível. Os eletrodos podem ser retirados a qualquer momento. A bateria que libera a corrente elétrica para os eletrodos deve ser trocada a cada sete anos. Se desligada por algum motivo, o paciente volta a sofrer com os sintomas da doença da qual é portador. O aparelho custa entre US$ 15 mil e US$ 40 mil, dependendo da indicação. Podem surgir efeitos colaterais transitórios como dores de cabeça e tonturas.

Como ocorre com qualquer método novo, muitas dúvidas persistem sobre a segurança e os benefícios da neuroestimulação. A ligação entre os neurônios pode ficar anormal no futuro. Não há total garantia de que as correntes - elétricas ou magnéticas - não afetarão outras áreas do cérebro, além da parte desejada. "São riscos muito pequenos, mas que precisam ser confirmados por mais estudos", diz Felipe Fregni.

Na opinião do neurologista Mauro Muszkat, da Universidade Federal de São Paulo, os métodos são promissores. Mas, se regiões saudáveis do cérebro forem lesadas, podem ocorrer sérios danos. Convulsões, problemas motores e alterações de humor são conseqüências prováveis. "Ninguém gosta de tomar remédio. Quando surge algo que parece acabar com a doença tão facilmente, a tendência é desprezar os riscos." A neuroestimulação não trará alívio a todos os pacientes de males neurológicos e psiquiátricos. Mas é uma esperança para muitos deles.

O funcionamento das novas técnicas
Os métodos de estimulação equilibram as funções cerebrais. São uma opção quando os remédios não funcionam

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