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BLOG - Dr Higashi

Postado em 20/6/2017
Toxinas ambientais como mercúrio e pesticidas estão relacionados a doença neurodegenerativa
Relação do aumento de doenças neurodegenerativas com a contaminação do meio ambiente

Muitas pessoas não acreditam que a contaminação do meio ambiente possa ter alguma influência negativa no nosso organismo e que o que fazemos contra a natureza volta contra nós. 


Uma das doenças mais temidas dentre as doenças neurodegenerativas se chama Esclerose Lateral Amiotrófica, conhecida como E.L.A ou doença de Lou Gehring. A ELA é uma doença que compromete  o neurônio motor do nosso organismo. Pouco a pouco este neurônio vai diminuindo e, com isso, o organismo começa a ter fraqueza gradativa e progressiva, dificuldade para correr, depois para andar, em seguida para escovar os dentes, e então para engolir água e comida e, finalmente, o organismo perde a força para respirar e morre. A média de sobrevida está entre 3 a 5 anos, geralmente esta doença não afeta a cognição, por isso o doente continua consciente do que esta acontecendo.


Em 2014 o desafio ao combate a ELA foi iniciado nos Estados Unidos, com a campanha Ice Bucket Challenge (desafio do balde de gelo), feita para angariar recursos para o tratamento da (ELA), que ganhou as redes sociais com famosos (Bill Gates e Mark Zuckerberg) aceitando o desafio de tomar um banho de água e gelo e doar recursos para a campanha. A doença não tem cura e não se sabe exatamente o que causa. Acredita-se na tese de que a maior influência da origem seja ambiental, uma vez que genética está relacionada apenas a 10-15% dos casos, que na grande maioria não tem qualquer conexão hereditária.



Pesquisas recentes apontam uma associação entre o aumento de contaminantes no organismo, como metais pesados (mercúrio), e doenças, neurodegenerativas como a ELA.


Um estudo apresentado este ano, no 69Encontro Anual da Academia Americana  de Neurologia pesquisou 518 pessoas, onde 294 tinham a doença, e as demais 224 não. Neste estudo foi demonstrado que entre aqueles que consumiam regularmente frutos do mar e peixe e tinham a doença apresentavam níveis de mercúrio no nível superior. Do total, 61% dos pacientes com ELA tinham aumento dos níveis de mercúrio, contra 44% dos que não tinham a doença. O estudo conclui que aqueles que tem níveis aumentados de mercúrio, tem 2 vezes mais chances de ter a ELA, em relação aqueles com níveis baixos de mercúrio no organismo.


Já se sabe que a alimentação com peixes de maior porte, como peixe espada e o tubarão, por exemplo, aumentam a chance de estarem contaminados com mercúrio pois são no mar o final da cadeia alimentar e o mercúrio tem alta afinidade com a proteína do peixe.Por essa razão o FDA (EUA), recomenda evitar a ingestão destes peixes maiores durante a gravidez. Entretanto, no Brasil uma pesquisa realizada no Rio de Janeiro pelo departamento de química da PUC-Rio demonstrou que até peixes menores como atum podem estar contaminados. Neste estudo, entre as 39 amostras de atum sólido enlatado, pertencentes a cinco marcas diferentes, 53% das amostras apresentavam um teor acima do máximo recomendado de mercúrio. Os pesquisadores neste estudo alertam para o alto risco dessa contaminação no organismo, principalmente em grupos mais suscetíveis crianças e gestantes.


Além do mercúrio os pesticidas, aos quais a população é submetida, também estão associados ao aumento da incidência de ELA. Foi o que demonstrou um estudo, realizado em militares americanos, pela Universidade de Michigan, e posteriormente publicada na prestigiada revista científica Neurology. E estudo demonstrou que dos 110 adultos com diagnóstico de ELA, comparados com pessoas sem a doença, os casos que apresentaram a doença tinham uma história pregressa de maior risco de contaminação em relação aqueles sem a doença.


Estes, entre os  estudos, demonstram que estamos contaminando nossos alimentos e essa contaminação aumentam nossas chances de ter doenças neurodegnerativas incuráveis, com causas ainda ditas desconhecidas. Seriam tão desconhecido assim, ou não queremos enxergar?


Dr. Rafael Higashi, mestre em medicina, neurologista e nutrólogo da Clínica Higashi Rio de Janeiro

Dr. Rafael Higashi medico nutrologo e neurologista.jpg
Ver comentários ( )

  • 10/7/2017
    Amanda Cristina Lima de Oliveira
    Gostaria de receber e-mails com os artigos, gostei muito do artigo, sou nutricionista e quem me mandou o link para o artigo foi uma amiga. Grata!
  • 1/7/2017
    Gulla
    parabéns mestre pela matéria, saber comer / alimentar é saber viver mais e com menos riscos de doenças neurodegenerativa.
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Sobre Dr. Higashi
O Blog Dr. Higashi é formado pelos três diretores médicos da Clínica Higashi composto por Dr. Tsutomu Higashi, médico com master na ciência do anti-aging, Bacharel em Medicina Ortomolecular e patologista clínico, Dr. Rafael Higashi, mestre em medicina com especialidade em neurologia e nutrologia e Dr. Leonardo Higashi médico especialista em clínica médica, endocrinologia e nutrologia. O objetivo do Blog é trazer informação sobre medicina e qualidade de vida, através de uma visão global do organismo.
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